Como Negociar a Dívida do Cartão

O número de pessoas endividadas por causa do cartão de crédito é crescente. Em abril deste ano, os dados revelados pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mostraram que 62,3% das famílias brasileiras possuem dívidas. Dentre essas, 74,8% apontou o cartão de crédito como motivo da dívida. A principal explicação para esse número tão elevado de endividados é o próprio crescimento do uso do cartão, que vem substituindo outras formas de pagamento como o cheque pré-datado e o carnê de parcelamento.

Diante da dívida, o mais importante é manter o controle e procurar soluções racionais para o problema. Fugir da questão só a torna maior e mais fora de controle. Um bom caminho é a negociação com o banco, que pode reconsiderar os juros e prazo para pagamento do valor devido. Para que você consiga acabar de vez com as dívidas do cartão, preparamos uma série de passos que te ajudarão na negociação.

Dívida Com Cartão

Dívida Com Cartão

1. Fazendo as Contas

Um dos grandes problemas do cartão de crédito é que os usuários nem sempre compreendem como as cobranças são calculadas. Exemplo disso são as várias mensagens e comentários que recebemos de leitores que não sabem porque o valor da fatura está mais alto que as despesas realizadas. Por isso, é fundamental que você reúna todas as faturas dos meses anteriores e comece a verificar os gastos. Veja quando foi que você recorreu ao crédito rotativo, observe a cobrança de juros e como a administradora está cobrando todos esses valores.

Importante: aproveite a calculadora para contabilizar suas despesas mensais e tentar reduzir o orçamento. Assim, ficará mais fácil pagar as parcelas da negociação da dívida sem entrar numa bola de neve de dívidas.

2. Muitos Cartões, Muitas Dívidas

Esta é uma regra clara: quanto maior for a quantidade de cartões, maior é o risco de endividamento. E quem acaba deixando de pagar a fatura de mais de um cartão poderá ter problemas para quitar tudo ao mesmo tempo. Uma boa dica é se esforçar para pagar o valor devido a um deles e tentar negociar a dívida do outro.

Há quem diga que é melhor começar pagando o cartão com dívida menor, mas, na verdade, o foco deve estar no juros. Como a cobrança tende a aumentar a cada mês, o ideal é pagar o credor com tarifas mais elevadas. Observe em sua fatura a seção “Encargos de Financiamento” (ou algo semelhante). Lá você encontrará o valor do “Juro Máximo de Financiamento ao Mês”, que representa o custo total da tarifa.

Na hora de negociar, você também poderá usar esses dados para buscar uma redução na cobrança de juros. Antecipando uma pouco a discussão sobre a proposta de negociação, tenha em mente que os juros não podem seguir elevados, ou você terá dificuldades para pagar o que deve. Uma boa proposta deve ter parcelas que cabem no bolso, bom prazo e tarifas razoáveis.

Endividado

Endividado

3. Conversando Com o Banco

Para que a negociação seja feita, é necessário que você entre em contato com o banco. Essa é uma etapa problemática para muitos devedores, porque é embaraçoso admitir que houve um problema financeiro. Por isso, muitos bancos contam hoje com canais mais simples de negociação, pela internet ou pelo telefone.

Independente do meio que será utilizado, o mais importante é usar bons argumentos e mostrar que há a verdadeira intenção de solucionar o problema. Tenha em mente que a empresa é beneficiada pelo seu endividamento e que, portanto, você tem sim a possibilidade de reduzir o valor cobrado.

Antes de aceitar qualquer proposta, verifique qual é o CET (Custo Efetivo Total) da dívida. Esse valor representa o total cobrado ao final, incluindo os juros e outras possíveis tarifas. A somatória lhe dará uma boa dimensão do quanto será pago ao final. Se o número for muito superior ao valor da dívida, a proposta pode ser prejudicial para você.

4. De Olho na Proposta

Há muitos casos em que a própria empresa entra em contato oferecendo uma proposta. Desesperados com a possibilidade de ter o nome sujo, muitos endividados acabam aceitando essa primeira oferta. No entanto, é sempre uma boa pedida chegar a um acordo que atenda bem a ambas as partes. Ao invés de aceitar a primeira proposta, entre em contato, converse com o credor, apresente um bom plano para pagamento da dívida e busque diminuir os juros cobrados. Dessa forma, será bem mais fácil garantir o pagamento das parcelas e não piorar a situação.

5. Empréstimo Como Alternativa

Muita gente se questiona se vale a pena pegar um empréstimo para pagar as dívidas com o cartão. A resposta para essa pergunta é sim, desde que os juros cobrados pelo empréstimo sejam menores que os do cartão de crédito. Nesse caso, e em outras situações, vale a recomendação dos especialistas de trocar uma dívida maior por outra menor.

As linhas de crédito comuns costumam ser bem mais baratas que os juros do cartão. Enquanto os empréstimos têm média de 5% ao mês, as administradoras cobram algo em torno de 10% pelo crédito rotativo. Na prática, isso quer dizer que os custos do pagamento do empréstimo serão bem menores que seguir pagando as parcelas do cartão.

Porém, é importante lembrar que nem todo empréstimo é vantajoso. Existem financeiras que oferecem crédito especial para negativados com juros maiores que os do rotativo. Além disso, em nenhuma hipótese vale usar o cheque especial da sua conta para quitar dívidas, pois as cobranças são ainda maiores. O ideal é buscar um bom crédito consignado ou com algum bem como garantia, para reduzir bastante os juros.

Negociação

Negociação

6. Ajuda de Especialista

Mesmo com todas essas orientações, o processo de negociação pode ser complicado. Por isso, os órgão especializados em ajudar o consumidor, como a Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) e o Instituto Nacional de Defesa dos Consumidores do Sistema Financeiro (Andif), poderão ser acionadas para te orientar e auxiliar no acordo. Antes de procurar uma dessas associações, levante todos os dados da dívida, organize as faturas e, se for o caso, tenha anotado os protocolos de atendimento de qualquer contato com a empresa credora. Tudo isso ajudará a acelerar o processo de negociação.

7. Acordo Feito

Depois de, enfim, conseguir uma negociação, é importante evitar novas dívidas. Talvez até valha a pena cancelar o cartão de crédito até que todas as parcelas tenham sido pagas. Aproveite a situação apertada para repensar o modo como você gasta seu dinheiro. Esse talvez seja o momento ideal para dar início a uma poupança que sirva de fundo emergencial para problemas futuros. Vale a pena também organizar as contas, reduzir gastos  e entender, definitivamente, que as dívidas só prejudicam o endividado.

Postado por Mila Silva. Veja mais cartões de crédito emitidos por: Artigos e também com características semelhantes: , , , , , , , , , ,
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2 Comentários em “Como Negociar a Dívida do Cartão

  • Laisa gomes de oliveria (18/03/2015 às 19:18) disse:

    preciso saber quanto ficaria as parcelas de um negociamento! obrigada.

    • Cartão de Crédito (17/04/2015 às 11:57) disse:

      Laisa. O valor das parcelas depende de sua dívida. Entre em contato como banco e verifique.

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